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Livro científico sobre o Rio Grande é disponibilizado para download

Este ano, o Projeto Peixes de Água Doce publicou o livro científico “Rio Grande: Ambiente, Peixes e Pessoas”, que apresenta os resultados dos estudos conduzidos pela equipe do projeto e pesquisadores colaboradores no Rio Grande em Minas Gerais. Esta publicação apresenta quatro capítulos: o primeiro possui uma caracterização ambiental e socioeconômica da bacia, com ênfase nas regiões da nascente, alto e médio Rio Grande; o segundo apresenta a organização social e as preferências de habitat das espécies de peixes observadas ao longo do Rio Grande; o terceiro exibe dados socioeconômicos e a percepção ambiental da população ribeirinha com relação aos recursos naturais do rio e o quarto mostra o conhecimento ecológico local de pescadores profissionais em relação a cinco espécies de peixes desse rio. O livro visa fornecer informações importantes para profissionais e estudantes da área ambiental com interesse na conservação dos recursos naturais na Bacia do Rio Grande.

Deste modo, o projeto realizou uma distribuição sistemática dos exemplares impressos do livro publicado para dezenas de bibliotecas em instituições de ensino superior, como universidades federais, estaduais e particulares e Institutos Federais, especialmente em municípios localizados na Bacia do Rio Grande. Para permitir o acesso do público ao conhecimento produzido pelo projeto também disponibilizamos o livro científico para download em PDF (clique na imagem):

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Documentário e livro educativo sobre o Rio Grande disponibilizados na íntegra

Como forma de democratizar o acesso ao conhecimento produzido pelo projeto na Bacia do Rio Grande, disponibilizamos na íntegra o novo documentário do projeto, “Peixes de Água Doce: a Arte da Pesquisa”, em nosso canal no YouTube, e também o livro educativo “Peixes de Água Doce: Teoria e Prática nas Escolas: Bacia do Rio Grande” em nosso site. Estes materiais didáticos foram produzidos a partir das atividades de pesquisa e educação ambiental desenvolvidas ao longo de dois anos nesta bacia, totalizando a documentação de 41 espécies de peixes ao longo do Rio Grande e a realização de 286 oficinas de educação ambiental que contaram com a participação de 656 professores e 9.685 alunos em escolas da rede pública de ensino. Agradecemos fortemente os alunos, professores, diretores, escolas e instituições parceiras pelo envolvimento e participação em nosso projeto, estas publicações são dedicadas a vocês!

Conheça o livro educativo:

Livro educativo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assistir documentário:

Conhecimento ecológico local dos pescadores em relação aos peixes do Rio Grande

Durante as pesquisas de campo, 42 pescadores artesanais, que possuíam carteira de pesca profissional, foram entrevistados ao longo do Rio Grande em Minas Gerais. O objetivo das entrevistas foi avaliar o conhecimento ecológico dos pescadores em relação a cinco espécies de peixes que vivem neste rio e comparar com o conhecimento disponível na literatura científica. Em cada entrevista foi apresentada aos pescadores uma fotografia de cada uma das cinco espécies de peixes que o pescador deveria identificar, e em seguida, foram realizadas perguntas padronizadas sobre o comportamento de cada espécie.

Preliminarmente, ao comparar o conhecimento ecológico local dos pescadores com os dados disponíveis na literatura científica observamos um alto índice de acerto das respostas referentes ao habitat, reprodução e alimentação das espécies mais comuns, como a traíra, o mandi-amarelo e a curimba. Com relação ao jaú, espécie pouco abundante e atualmente ameaçada de extinção, o nível de acerto dos pescadores diminui consideravelmente, provavelmente devido à pequena população desta espécie no Rio Grande. A seguir estão apresentados os resultados parciais para cada espécie.

CurimbaCurimbaQuando apresentada a fotografia de Prochilodus lineatus, a curimba, 85% dos entrevistados identificaram corretamente este peixe. Em relação ao local onde este peixe costuma ficar no rio, a maioria respondeu em locais de água corrente (33%) e no fundo do rio (24%). Segundo a maior parte dos entrevistados (95%), este peixe é de piracema e migra entre os meses de novembro e fevereiro (74%), normalmente, para a cabeceira do rio (45%). Cerca de 82% dos entrevistados informaram que a curimba desova entre os meses de novembro a março, principalmente em locais de corredeira (20%). Segundo os pescadores, este peixe vive em cardumes (97%) e se mistura com outros peixes como o dourado (30%) e o piau (19%). A curimba, de acordo com os pescadores, é uma espécie noturna (47%) e sua dieta é composta principalmente por lodo (83%). Cerca de 83% dos entrevistados acredita que esta espécie possui predadores e os mais citados foram o dourado (38%) e o tucunaré (20%). Ainda segundo os pescadores, a curimba pode ser pescada o ano todo no Rio Grande (31%), principalmente durante a noite (82%), no meio do rio (26%) e em locais de corredeira com pedras (19%). Os principais materiais usados na pesca deste peixe são a rede (78%) e o anzol (17%).

DouradoDourado

Nas perguntas sobre o dourado Salminus brasiliensis, 66% dos pescadores acertaram a espécie apresentada na foto. A maioria dos entrevistados (63%) informou que este peixe vive em áreas de corredeira. Cerca de 95% afirmou que este peixe também é de piracema e migra de outubro a março (97%) para a cabeceira do rio (44%). A época de desova deste peixe, segundo os pesadores é entre os meses de outubro de fevereiro (95%) e a desova ocorre em áreas de corredeira (27%). A maioria dos pescadores informou que este peixe vive em cardumes (95%) e que não se mistura com outros peixes (74%). Segundo os entrevistados, o dourado é um peixe diurno (45%), que se alimenta principalmente de outros peixes (78%) e não possui predadores (50%). A melhor época para pescar este peixe, segundo os entrevistados, é entre os meses de novembro e março (51%), durante a noite (64%), no meio do rio (30%) e em locais com correnteza (28%). A rede é o material mais utilizado para a pesca deste peixe (71%).

Mandi-amareloMandi-amareloTodos os pescadores identificaram corretamente o mandi-amarelo Pimelodus maculatus, quando apresentada a foto. A maioria dos entrevistados informou que este peixe vive principalmente em locais fundos com a presença de barro (54%). Aproximadamente 88% dos pescadores informaram que este peixe é migrador e exerce este comportamento entre os meses de outubro e fevereiro (94%), migrando, de acordo com a maioria dos entrevistados (39%), para a cabeceira do rio. Este peixe costuma desovar, segundo os pescadores, entre os meses de outubro e fevereiro (83%), principalmente em locais fundos com pedras (29%). De acordo com 90% dos entrevistados, o mandi vive em cardumes e não se mistura com outros peixes. A maioria dos pescadores informou que o mandi possui hábito noturno (83%) e se alimenta principalmente do lodo encontrado nas pedras e galhos no fundo do rio (43%). Segundo a maior parte das entrevistas (83%), o mandi possui predadores, sendo os principais a traíra (37%) e o dourado (20%). De acordo com os pescadores, o mandi-amarelo pode ser pescado durante todo o ano no Rio Grande (61%) e é mais encontrado no período da noite (85%), no meio do rio (19%) ou em locais fundos (19%). Os materiais citados como mais utilizados para a pesca do mandi são a rede (73%) e o anzol (16%).

JaúJauApenas 57% dos pescadores entrevistados identificaram corretamente, através da fotografia apresentada, o jaú Zungaro jahu. De acordo com os pescadores, este peixe vive no fundo do rio em locais com pedras (37%), e a maioria dos entrevistados (38%) não soube responder se o jaú é uma espécie migradora. Este peixe desova, de acordo com as respostas do questionário, entre os meses de outubro e fevereiro (55%) e em locais mais fundos do rio (21%). A maioria dos entrevistados afirmou que o jaú não vive em cardumes (51%), possui hábito noturno (66%) e se alimenta principalmente de outros peixes (54%). Segundo os pescadores, este peixe não possui predadores (48%) e é mais pescado entre os meses de novembro e fevereiro (44%), principalmente durante a noite (43%) e em locais com corredeiras (33%). Os materiais mais usados na pesca deste peixe são o anzol (28%) e a rede (16%).

TraíraTraíraNas perguntas relacionadas à espécie Hoplias malabaricus, a traíra, todos os pescadores identificaram corretamente a espécie da foto. Em relação ao local em que este peixe vive, cerca de 42% dos entrevistados responderam que a traíra vive nas margens do rio e 33% responderam que este peixe fica em águas paradas. A maioria dos pescadores (57%) disse que este peixe não é migrador e 90% dos entrevistados informaram que ele desova entre os meses de outubro a março, geralmente nas margens do rio (26%). Aproximadamente 90% dos entrevistados informaram que este peixe não vive em cardumes e possui hábitos noturnos (88%). Em se tratando da alimentação, 92% dos entrevistados disseram que a traíra se alimenta principalmente de outros peixes. Cerca de 71% dos pescadores informaram que a traíra possui predadores e os mais citados foram o tucunaré (37%) e o dourado (27%). Segundo os pescadores é possível pescar a traíra durante todo o ano (52%), principalmente durante a noite (90%) e nas margens do rio (64%). Os materiais mais usados na pesca deste peixe são a rede (71%) e o anzol (21%).

Aspectos socioeconômicos dos moradores ribeirinhos do Rio Grande em Minas Gerais

As entrevistas realizadas com os moradores ribeirinhos do Rio Grande revelaram muitas informações interessantes. Nesta reportagem, você irá conhecer um pouco mais sobre os aspectos socioeconômicos dos ribeirinhos ao longo deste importante rio brasileiro.

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De acordo com as informações provenientes dos questionários aplicados pela equipe do Projeto Peixes de Água Doce, a maioria dos moradores ribeirinhos entrevistados, nas três regiões estudadas, possui entre 31 e 65 anos de idade, de 1 a 2 filhos, ensino fundamental incompleto, renda mensal de 1 a 2 salários mínimos, e é adepta da religião Católica. A principal diferença dos ribeirinhos entrevistados entre as regiões foi com relação ao gênero e a atividade profissional, pois nas regiões da nascente e no médio Rio Grande predominaram, respectivamente, mulheres e donas de casas, enquanto no alto Rio Grande predominaram homens e aposentados.

Região da nascente do Rio Grande

Na região da nascente do Rio Grande, representada pelos municípios de Bocaina de Minas, Liberdade e Bom Jardim de Minas, foram realizadas 80 entrevistas com moradores ribeirinhos. Nesta região, 54% dos entrevistados são mulheres e 46% são homens. A maioria possui entre 31 e 65 anos de idade (70%), enquanto 18% possuem entre 18 e 30 e 12% possuem mais de 65 anos. A religião mais praticada pelos os moradores é a Católica, representada por 79% da população entrevistada e a menos praticada é a Adventista (4%).

Fig 1_Religiao

Fig 2_Escolaridade

Em relação ao nível de escolaridade, a maior parte dos entrevistados possui Ensino Fundamental incompleto (51%). A profissão mais comum entre os moradores ribeirinhos desta região é a de dona de casa. Este resultado está relacionado ao fato de que a maior parte dos entrevistados é do sexo feminino. Os ribeirinhos desta região, em sua maioria, apresentam uma renda mensal que varia entre 1 e 2 salários mínimos (84%) e possui de 1 a 2 filhos (50%).

Fig 3_Renda

Fig 4_Filhos

Região do alto Rio Grande

A região do alto Rio Grande é representada pelos municípios de Itutinga, Ijaci, Lavras e Ribeirão Vermelho, onde foram realizadas 79 entrevistas. Nesta região a maioria dos ribeirinhos entrevistados está representada pelo sexo masculino (60%) e 40% são do sexo feminino. A maior parte, representada por 78% das pessoas, possui entre 31 e 65 anos de idade, enquanto 19% possuem mais de 65 anos e 3% possuem entre 18 e 30 anos. A religião Católica também é predominante entre os entrevistados, representando 93% das respostas, e a religião menos praticada é a Espírita, representado apenas 2%.

Fig 5_Religiao

Fig 6_Escolaridade

Em se tratando do nível de escolaridade, a maior parte dos entrevistados possui apenas Ensino Fundamental incompleto (35%). A maioria dos ribeirinhos desta região é aposentada (24%). Cerca de 65% das pessoas possui renda mensal variando entre 1 e 2 salários mínimos e possui entre 1 e 2 filhos (52%).

Fig 7_Renda

Fig 8_Filhos

Região do médio Rio Grande

A região do médio Rio Grande é representada pelos municípios de São José da Barra, São João Batista do Glória e Passos, onde foram realizadas entrevistas com 78 moradores ribeirinhos. Nesta região, os entrevistados também são predominantemente mulheres (54%) e os homens representam 46%. A maioria das pessoas que responderam ao questionário possui entre 31 e 65 anos de idade (71%), enquanto aproximadamente 18% possuem mais de 65 anos e 11% possuem entre 18 e 30 anos. A religião predominante nesta região também é a Católica, representada por 70% dos moradores, e a menos praticada é a Adventista, representado apenas 3% das respostas.

Fig 9_Religiao

Fig 10_Escolaridade

Em relação ao grau de escolaridade, a maior parte, representada por 58% dos entrevistados possui apenas Ensino Fundamental incompleto. A profissão mais representativa entre os moradores ribeirinhos nesta região é a de dona de casa (28%), um resultado que novamente pode estar relacionado com o maior número de mulheres entrevistadas. A maioria dos ribeirinhos possui como renda mensal entre 1 e 2 salários mínimos (76%) e entre 1 e 2 filhos (51%).

Fig 11_Renda

Fig 12_Filhos

Hábitos e comportamentos curiosos dos peixes do Rio Grande

Através das observações subaquáticas no Rio Grande, realizadas pela equipe de pesquisadores do projeto, foi possível descobrir hábitos e comportamentos curiosos dos peixes. Veja abaixo algumas características comportamentais das espécies registradas na cabeceira, no alto e no médio Rio Grande em Minas Gerais.

Cabeceira do Rio Grande

Foto 1
Ponto de mergulho localizado no município de Bocaina de Minas.
Foto 2
Neste local, os lambaris (Astyanax fasciatus e Astyanax paranae) procuram alimento principalmente na boca das corredeiras, onde sementes, frutos e insetos são carreados pela correnteza.
Foto 3
A mocinha (Characidium gomesi) é um pequeno peixe que se desloca no fundo do rio com auxílio das nadadeiras peitorais e pélvicas.
Foto 3.1
A truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss) é uma espécie exótica proveniente da América do Norte, que encontrou condições favoráveis para sobrevivência nesta região.

Alto Rio Grande

Foto 4
Ponto de mergulho localizado no município de Ribeirão Vermelho.
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O canivete (Apareiodon affinis) se alimenta principalmente de perifíton (composto de organismos vegetais e animais) que crescem sob as pedras.
Foto 5
O piau-três-pintas (Leporinus friderici) forma grandes cardumes no fundo do rio, que auxilia na proteção diante predadores.
Foto 6
Piaus de menor porte, como o flamenguinho (Leporinus octofasciatus) e o timburé (Leporinus striatus), formam cardumes mistos também para melhor proteção no rio.
Foto 7
O dourado (Salminus brasiliensis) é o maior predador nesta região do Rio Grande, o qual patrulha constantemente o rio, durante o dia, em busca de presas.

Médio Rio Grande

Foto 8
Ponto de mergulho localizado no município de São José da Barra.
Foto 9
Após a reprodução, o casal de cará (Geophagus cf. brasiliensis) cuida cuidadosamente da prole, afastando, inclusive, possíveis predadores de maior porte corporal.
Foto 10
Neste local, o pacu-prata (Myleus tiete) costuma habitar e alimentar-se nos bancos de vegetação aquática no rio.
Foto 15
O mato-grosso (Hyphessobrycon eques) é um peixe bem pequeno que vive em meio à vegetação aquática, sendo amplamente utilizado no aquarismo devido a sua cor avermelhada.
Foto 11
O tucunaré (Cichla piquiti), espécie exótica proveniente da bacia amazônica, é comum nesta região e se alimenta principalmente de peixes nativos.
Foto 13
Espécie de grande porte corporal e que chama atenção pela sua beleza, o cascudo-abacaxi (Megalancistrus parananus) habita tocas de pedra no fundo do rio.
Foto 14
Nesta região, grandes cardumes de mandi-amarelo (Pimelodus maculatus) são frequentemente observados procurando alimento no fundo pedregoso do rio.